quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sábado ou Domingo?

O Domingo, após a ressurreição de Cristo foi indicado pelo Salvador como o dia a ser consagrado para sua  Adoração. Porém, muitas são as dúvidas levantadas sobre o correto dia designado para se guardar. Alguns acreditam ser sábado o dia, outros domingo, e outros dia nenhum. Que escrituras da Bíblia nos evidenciam que o correto dia de adoração é o Domingo?

Até a morte de Cristo o dia designado para se guardar foi o Sábado (ver Lucas 4:16). Porém, após a morte e ressurreição de Cristo, existem diversas evidencias no Novo Testamento apontamento para o Domingo como o novo dia a ser santificado.

A primeira aparição de Cristo após sua ressurreição ocorreu num Domingo (João 20:1). A segunda aparição do Senhor também ocorreu no Domingo (João 20:19). A terceira aparição de Jesus ocorreu também num Domingo (João 20:26). Porque o Senhor aparentemente privilegiou o Domingo para suas aparições, ao invés do sábado, se o sábado ainda fosse o seu dia santo?

Outra evidencia se encontra em Atos 20:7, onde é dito que os discípulos se juntaram para partir o pão no Domingo, conforme mandamento anterior de Jesus (Mateus 26:26-28). A pergunta é: se o dia de adoração ainda fosse o sábado, porque os discípulos se reuniram no domingo para partilhar o sacramento?

Em I Coríntios 16:1-2, tratando-se da arrecadação de fundos (ofertas) entre os membros da Igreja de Cristo, o que obviamente era feito quando os santos estavam reunidos no dia santo (como o é nos dias atuais), é dito que tal ocorreu no Domingo, e não no sábado.

Em Colossenses 2:16, Paulo adverte os santos daquela localidade de quem os "(...) julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados." Se o sábado (ou dia de adoração) não houvesse mudado (ou seja, ainda fosse o 7º dia da semana), acaso haveria motivo para os novos cristãos serem "julgados" por este motivo entre os demais judeus?

No início do Livro de Apocalipse, capítulo 1 versículo 10, é dito que o Apóstolo João foi arrebatado no dia do Senhor, quando teve suas visões.

Na Bíblia grega, no Novo Testamento, por oito vezes o domingo é denominado como o Dia do Senhor, e não o sábado. A título de exemplo transcrevemos abaixo João 20:1, de acordo com a tradução literal de Young:

"And on the first of the sabbaths, Mary the Magdalene doth come early (there being yet darkness) to the tomb, and she seeth the stone having been taken away out of the tomb"

Note que a palavra destaca é sabbath, que significa dia de descanso, dia santificado, e não "sábado", já que a palavra "sábado" em inglês é Saturday. Ressalta-se ainda que no versículo anterior, sabbatth se refere ao primeiro dia da semana, ou seja, Domingo.

Mas felizmente não dependemos somente de evidencias do Novo Testamento para entender que o novo dia de adoração é o Domingo.Através de revelação moderna o Senhor nos ensina que agora deseja que guardemos o Domingo, ao invés do sábado (Doutrina & Convênios 59:9-14).



domingo, 2 de janeiro de 2011

A GEOLOGIA DA CRIAÇÃO



1)      DURAÇÃO DA CRIAÇÃO: O TEMPO GEOLÓGICO E O TEMPO BÍBLICO
A cristandade sempre acreditou que a criação dos céus e da Terra duraram seis dias (do nascer ao entardecer) conforme registrado no livro de Genesis, conforme dado a Moisés por revelação, durante seu ministério terreno.
O registro da criação é a primeira informação apresentada na Bíblia, mas não significa que aí também seja o início do plano de Deus para o homem, ou o início de sua existência.
Em Genesis 1:9-10 lemos:
Gen 1:9  E disse Deus: Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça o elemento seco. E assim foi.

Gen 1:10  Chamou Deus ao elemento seco terra, e ao ajuntamento das águas mares. E viu Deus que isso era bom.
O profeta Joseph Smith, sabiamente ensinou que a palavra “dia” encontrada no livro de Genesis ao se referir aos períodos da criação, não são necessariamente um dia no planeta Terra (ou seja, vinte e quatro horas), mas que a melhor palavra para descrever cada período de criação seria traduzir a palavra “dia” por “vez” 1. Esta tradução alternativa está de acordo com os escritos originais hebraicos/aramaicos. O termo utilizado em Genesis para “dia” é יום e de acordo com Brown-Driver-Briggs2 pode ser traduzido como divisão de tempo ou período.
Alguns estudantes do assunto tem aventado a possibilidade de que o termo “dia” se refira ao tempo de rotação de Colobe, que é a estrela mais próxima da habitação do SENHOR3. É dito nas escrituras que um dia em Colobe, corresponde a mil anos para o homem (Abraão 3:4, Salmos 90:4, II Pedro 3:8). Assim, seis dias de criação corresponderia a seis mil anos.
No século XIX um talentoso estudante de geologia percebeu que átomos de determinado elemento emitiam radiação de determinadas partículas em quantidades padrão, e que de tempos em tempos, por períodos fixos, esta radiação diminuía pela metade. Assim, ele percebeu que átomos de urânio, após certo de tempo padrão de radiação se tornavam em chumbo. A partir deste conceito, medindo proporções em rochas dos elementos urânio e chumbo, foi possível conhecer a idade das rochas. Este conceito se tornou conhecido como meia-vida. Este geólogo passou toda a sua vida coletando rochas de todo mundo e datando a época de suas criações. A idade estimada do planeta Terra, de acordo com as rochas mais antigas já encontradas no planeta é de 4,56 bilhões de anos. Deste modo verifica-se que não se sustenta a teoria de que a Terra teria somente seis mil anos de existência até o momento da criação de Adão. 

2)      O REGISTRO GEOLÓGICO NA BACIA DO RIO PARANÁ
De certa forma, o modo simplista como se encontra registrado o evento da criação nos versículos de Genesis dá-se a impressão de um ato único, instantâneo e simples. Porém a observação das rochas, e do registro histórico que eles contem, nos permite complementar este conhecimento.
Considerando apenas algumas centenas de metros de espessura de rochas abaixo de onde se encontra minha cidade natal (Londrina, Paraná, Brasil), existem uma infinidade de camadas de rochas distintas. Citarei apenas as três primeiras, a partir da superfície.
Londrina se encontra sobre rochas ígneas, ou seja, magma solidificado (Figura 1). Apesar de nunca ter havido vulcões na região de Londrina, houveram grandes derrames de magma, que subiram até a superfície através de fissuras (vulcanismo de fissuras), em derrames sucessivos. Nesta região a espessura média somada dos derrames atingem de oitocentos a mil metros. Estes derrames de magma se estenderam do Jurássico até o Cretáceo (aproximadamente 150 milhões até 90 milhões de anos atrás), época em que grandes répteis viveram na Terra, conhecidos como dinossauros.


FIGURA 1- Local: Rodovia BR-369, Ibiporã/Pr

Logo abaixo dos magma resfriado citado, encontra-se uma camada de rochas sedimentares composta por grãos de areia, que por este motivo é denominada de arenito. Esta camada de rocha é conhecida pelo meio técnico como Formação Botucatu. Antes dos derrames de magma já citados, houve um deserto de grande extensão nesta região. Este deserto tinha dimensões continentais, seguindo do Uruguai até Goiás. Quando as areias deste deserto foram recobertas pelos derrames de magma, as mesmas foram compactadas se transformando em rocha arenítica. Apesar de estarem a aproximadamente 800 metros de profundidade na região de Londrina, estas rochas areníticas que no passado foram um deserto se encontram na superfície em vários locais do Brasil (Figura 2).


FIGURA 2 - Local: Rodovia SP-280 (Castello Branco).
Abaixo das rochas que se formaram a partir deste deserto, ou seja, anterior à existência do deserto, nesta mesma região houveram grandes rios com fluxo lento, o que favoreceu a deposição de partículas pequenas e finas de solo, denominadas de argila e silte. Quando estas camadas de solo (argilas e siltes) foram depositadas e posteriormente compactadas pelas deserto que se formou sobre elas, as mesmas se tornaram uma espessa camada de rochas (Figura 3 – Rochas avermelhadas). Nestas rochas são encontrados alguns fósseis de animais e plantas com milhões de anos de idade.

  
FIGURA 3 - Local: Rodovia PR-090, Sapopema/Pr.
Na figura anterior é possível notar as rochas da Formação Botucatu, ou seja, o antigo deserto (rochas esbranquiçadas na parte superior da foto), sobrepondo-se às rochas formadas de argila e silte em ambiente fluvial (rio), de cor avermelhada.
Com esta breve explanação é possível notar três ambientes completamente distintos que já existiram em nossa região (vulcanismo, deserto e rios gigantes). A título de curiosidade pode-se citar ainda o fato de em épocas passadas, a região de Londrina/Pr ter estado submersa em relação ao nível do mar, ou seja, o mar já existiu aqui. Prova disso é a existência de rochas calcárias em Sapopema/Pr, com fosseis de animais marinhos, plantas marinhas e conchas marinhas.
Deste modo conclui-se que todos estes eventos não podem ter acontecido em um único dia, ou seja, a separação entre “terra” e “água” conforme registrada no livro de Genesis não pode ter sido instantânea, mas que demandou muito tempo (milhões de anos).

3)      A ORDEM DE CRIAÇÃO APRESENTADA EM GÊNESIS SE ASSEMELHA A ORDEM CONHECIDA PELOS REGISTROS GEOLÓGICOS
Um evidencia cientifica da veracidade dos textos sagrados que tratam da criação, e que na época de Moisés ou Abraão (escritores de Genesis e do Livro de Abraão, que tratam da criação) não era conhecida, era de que, segundo as teorias evolucionistas, a água era necessária para a criação da vida, e que a mesma não seria possível sem a presença de água.
Nos livros de Genesis e Abraão a ordem da criação é a mesma, e ambas relatam a presença de água no planeta, antes da criação das formas de vida vegetais e animais. E ainda mais, estando o homem no topo da cadeia alimentar, ou seja, precisando de animais e vegetais para sua sobrevivência alimentar, ele foi o ultimo a ser criado, assim como afirma as teorias evolucionistas.

4)      CONCLUSÃO
Por meio destas breves e simples explanações pode-se apoiar a idéia de que a criação abrangeu um grande período de tempo, diferente do conceito comum que existe mesmo entre alguns eruditos religiosos.
Vale ressaltar que o conhecimento cientifico deve somente, na melhor das hipóteses, servir para fortalecer a fé. Outra certeza que devemos ter é de que quando ambos divergem, é sempre melhor aceitar que o Evangelho está correto, e que a ciência (como tem origem humana) está sempre mudando.
Com o conhecimento do Evangelho que temos atualmente, ainda não é possível harmonizar completamente o conhecimento cientifico e do Evangelho. Haverá um dia, no futuro, em que isso será possível, “(...) porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaias 11:9).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  1. Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, Compilação de Joseph Fielding Smith.
  2. Brown-Driver-Briggss´ Hebrew Definitions
  3. Strong, James (1890) Strong's Exhaustive Concordance S.T.D., LL.D., 1890.

domingo, 17 de outubro de 2010

O CASAMENTO PLURAL





INTRODUÇÃO
O casamento plural é definido como a união matrimonial entre um homem e mais de uma mulher, ao mesmo tempo, estando todos vivos. O casamento plural quando foi praticado dentro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o era feito para todo o tempo e a eternidade também.
Desde de 1890, quando da publicação oficial e aprovação pelos santos do Manifesto1, encerrando novos casamentos plurais na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, freqüentemente os líderes e mesmo os membros comuns têm sido interpelados por não-membros a respeito desta doutrina divina, extremamente  mal compreendida.
Mesmo entre os membros ativos da Igreja, muitas vezes por negligencia pessoal, não há conhecimento, ou melhor, entendimento sobre esta doutrina.
Não se pretende com este artigo esgotar o assunto, mas tão-somente esclarecer alguns pontos a ele relativos, que por si só são uma grande evidência do amor de Deus e da veracidade desta Igreja.
Cabe ressaltar ao leitor o caráter sagrado desta doutrina, e que a mesma não deve ser tratada levianamente, pois o SENHOR disso não se agrada.


1)      HISTÓRIA
Primeiramente vale ressaltar que o casamento plural, quando ordenado por Deus, não é “(...) carnal, sensual ou diabólico”, no sentido literal da expressão.
A prática do casamento plural no mundo, pelo povo de Deus, está associada à presença das chaves do poder selador na Terra. Como nem sempre este poder esteve na face da Terra, nem sempre o casamento plural foi praticado entre os santos. Porém, aparentemente, em todas as dispensações em que as chaves do poder selador foram conferidas ao homem, houveram casamentos plurais.
O processo de afastamento da verdade e posterior e conseqüente restauração da mesma, ocorreu muitas vezes na história do mundo, e não só com Joseph Smith. Cada período de tempo após a restauração da verdade é chamado de dispensação. Todas as dispensações antes da atual tiveram limites geográficos, ou seja, não cobriam o mundo todo. Aliás, por vezes tinha-se mais de uma dispensação acontecendo ao mesmo tempo em locais diferentes deste mundo. Talvez o principal motivo para isso era a dificuldade nos meios de comunicação da época.
Um engano comum que existe entre muitos membros da Igreja, é de que existiram somente sete dispensações. Isto talvez se de pela simbologia que o número sete representa, e por muitas coisas no Evangelho estarem associadas a este número (sete milênios, sete selos, sete dias da semana, etc). Porém no Guia de Estudo das Escrituras2, para o verbete dipensação lemos: “Adão, Enoque, Abraão, Moisés, Jesus Cristo, Joseph Smith e outros iniciaram uma nova dispensação do evangelho”. Aqui são nominados seis chefes de dispensação, com a afirmação de que existem ainda, alem destes, outros, significando ao menos mais dois, já que a palavra outros está no plural. Assim percebe-se pela lógica que foram ao menos oito dispensações. Na verdade existiram muito mais do que oito dispensações.
A título de exemplo, podemos citar algumas dispensações:

LÍDER DA DISPENSAÇÃO
ÉPOCA APROXIMADA3
CHAVE DO SACERDÓCIO
LOCAL/POVO
Adão
4.000 a.C.
·      Salvação da Humanidade
·      Natureza
Seus descendentes/EUA
Enoque
3.300 a.C.
·      Transladar
-
Noé
2.700 a.C.
-
-
Abraão
2.000 a.C.
·      Casamento Plural
-
Esaías
2.200 a.C.
-
Midianitas
Moisés
1.400 a.C.
·      Casamento Plural
·      Coligação
Israelitas
Melquesedeque
2.200 a.C.
-
Salém (Jebuseus)
Elias
850 a.C.
·      Poder Selador
·      Transladar
As 10 tribos do norte
Jonas
750 a.C.
-
Assíria (Nínive)
Leí
600 a.C.
-
América
João Batista
a.d.
·      Ministério de Anjos e outras
Judeus/Judéia, Galiléia
Jesus Cristo
a.d.
·      Redenção dos Mortos
·      Ressurreição
Judéia, Galiléia, Síria e Samaria
Joseph Smith
1.820 d.C.
·      Todas
O mundo todo
Jarede
Torre de Babel
·      Casamento Plural
América

 De acordo com o quadro apresentado nota-se que ao menos cinco dispensações deste mundo possuíram as chaves do casamento plural.  
A primeira vez em que se tem registro nas escrituras da instituição divina do casamento plural neste mundo está em Genesis 16:1-3:

1: Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos. Tinha ela uma serva egípcia, que se chamava Agar.

2: Disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de ter filhos; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos por meio dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3: Assim Sarai, mulher de Abrão, tomou a Agar a egípcia, sua serva, e a deu por mulher a Abrão seu marido, depois de Abrão ter habitado dez anos na terra de Canaã.

Neste momento da história humana, após aprovação de Sarai e de Jeová, Abrão toma uma segunda esposa, com propósito divino de levantar descendência. Tendo a aprovação do SENHOR e de sua esposa, em nada Abrão pecou ao contrair o segundo matrimônio (ver D&C 132:35). Posteriormente Abrão veio a ter mais esposas, também aprovadas pelo SENHOR. Prova disso é que mesmo Abraão sendo polígamo, se tornou tão íntimo de Deus, que foi chamado de “amigo de Deus” (Tiago 2:23).
Considerando que a promessa do SENHOR a Abraão em seu convenio se cumpriu literalmente, ou seja, ele se tornou pai de uma grande multidão, a poligamia foi adotada em muitos povos, não como instituição divina, mas como simples costume. Dentre os descendentes atuais de Abraão podemos citar grande parte dos povos da península arábica, com exceção dos Curdos que pertencem ao ramo indo-europeu e chegaram à região no século VII A.C..
Alem disso, no islão, Abraão também é considerado um dos grandes patriarcas, sendo este um dos motivos pelo qual a poligamia (no máximo quatro esposas, por instrução do Corão) é aceita no islamismo.
Antes de Abraão (um pouco mais de 2.000 depois da Queda3), um descendente de Caim chamado Lameque é apontado em Genesis 4:19 como sendo casado com duas esposas, a saber, Ada e Zilá. Este casamento plural aparentemente não era aprovado pelo SENHOR.
Smith4 afirma que após o retorno dos hebreus da babilônia, o casamento plural diminui em Israel, mas não foi extinto.
Nota-se no Novo Testamento que o casamento plural não era estranho ou rejeitado totalmente nos dias de Jesus. Tal pode ser observado pela parábola contada pelo SENHOR em que haviam 10 esposas aguardando um mesmo noivo (Mateus 25:1-13), o que não casou estranheza ou repudio em sua platéia ou discipulado.
Jacó, irmão de Néfi, esclarece que a instituição do casamento plural tem como objetivo levantar descendência justa para o SENHOR, ou seja, aumentar o número de filhos espirituais justos enviados a pais fiéis em determinado local (Jacó 2:30).


2)      O CASAMENTO PLURAL NA DISPENSAÇÃO DA PLENITUDE DOS TEMPOS
No Novo Testamento, nas palavras de Pedro aos judeus (Atos 3:19-21), é dito que na dispensação da plenitude dos tempos haveria a “(...)restauração de tudo”, o que inclui todas as chaves do Sacerdócio que já existiram nas diversas dispensações do mundo, incluindo a do casamento plural.
Vários anos antes dos primeiros casamentos plurais nesta dispensação, o profeta Joseph Smith recebeu a revelação sobre esta doutrina. Considerando a cultura monogâmica da época e local onde o profeta Joseph Smith vivia, ele relutou em viver este mandamento, deixando-o de lado até 1841. Neste ano, às margens do rio Susquehana, o profeta recebe a visita de um anjo, com sua espada desembainhada, advertindo o profeta de que se ele não iniciasse o uso do casamento plural, ele (o profeta) e seu sacerdócio seriam destruídos5.
Parte integrante do casamento plural era o selamento de todas as esposas, sendo este o contexto em que as ordenanças do Templo (principalmente o selamento) foram reveladas nesta dispensação.
A poligamia foi vivida de modo discreto até 1844. Praticamente as únicas pessoas que conheciam tal doutrina eram os que a praticavam. As seções de investidura e posterior selamento foram feitas inicialmente no segundo andar da loja de tijolos vermelhos do profeta Joseph.
Percentualmente falando, foram poucos os membros da Igreja restaurada que viveram esta lei. Este grupo é denominado pelos estudiosos mórmons de Quorum dos Ungidos de Joseph Smith.
Em 1844, o irmão chamado Willian Law, antigo membro do Quorum dos Ungidos, em oposição ao casamento plural expos tal prática ao mundo através de um jornal chamado Nauvoo Expositor. A opinião pública sobre os santos e sua religião, que na maior parte das vezes já não era favorável, tornou-se ainda mais hostil. Dentre os fatos que decorreram desta revelação podemos citar o próprio assassinato do profeta e de seu irmão, não como único responsável, mas sim o fator desencadeante.
Emma Smith, de acordo com os registros históricos, teve bastante dificuldade em aceitar tal lei. Conhecendo isto, o SENHOR fez a seguinte advertência a Emma: “(...) Mas se não guardar este mandamento, ela será destruída, diz o SENHOR; porque eu sou o SENHOR vosso Deus e destruí-la-ei se ela não guardar minha lei” (D&C 132:54). Quando da morte do profeta, um dos assuntos no qual Emma discordava da liderança instituída da Igreja (Quorum dos Doze) era justamente a prática do casamento plural. Em decorrência disso e de outros fatos, Emma se afastou da Igreja, e anos depois, se filiou à Comunidade de Cristo, que anteriormente foi conhecida como A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias Reorganizada, cujo um dos fundadores, membro afastado da Igreja e também contrário à poligamia, foi Willian Law. Emma morreu longe da fé.


3)      O CASAMENTO PLURAL NA ETERNIDADE
De acordo com o E. McConkie, Isaías 4:1 (no qual afirma-se que 7 mulheres desejarão se casar com um único homem, isso após a segunda vinda do SENHOR), é uma referencia a instituição novamente do casamento plural6.
Alem desta passagem, devemos lembrar que, conforme apresentado no item anterior, os casamentos plurais eram, todos eles, feitos para o tempo e a eternidade. Atualmente, de certa forma, também faz-se casamentos plurais para a eternidade. Quando uma mulher falece, ela já sendo selada a seu marido, este pode novamente ser selado a uma mulher em vida. O mesmo não vale para as mulheres, que só podem ser seladas a um único homem, estando ele vivo ou não. Isto também evidencia a prática do casamento plural na eternidade.


4)      CONCLUSÃO
Em 16 e 17 de maio de 1843 o profeta recebeu uma revelação que atualmente se encontra na seção de 131 de Doutrina & Convênios, na qual é dito que sem o casamento eterno, não é possível a nenhum filho de Deus alcançar exaltação (D&C 131:1-4). Neste contexto é possível fazer a seguinte especulação: O que será das mulheres que cumprirem todos os requisitos necessários para a exaltação com exceção do casamento eterno, já que na maioria das culturas do mundo esta decisão não depende delas?
Considerando a fidelidade e mansidão das mulheres, muitas vezes superior a dos homens, é de se supor que elas, mas facilmente alcançarão o patamar de obediência necessário para exaltação. Não se sabe ao certo qual é o critério utilizado por nosso Pai Celestial para designar uma inteligência como masculina ou feminina, no momento da criação dos corpos espirituais, e conseqüentes corpos físicos. Mas é perceptível a qualquer pessoa sensata a sensibilidade das mulheres, e sua submissão ao SENHOR. É minha opinião que, por este motivo, na exaltação, haverão mais mulheres do que homens.
Em sua justiça eterna e perfeita, é minha opinião que o SENHOR não deixará estas mulheres afastadas das bênçãos da exaltação, mas que o requisito do casamento eterno será cumprido para elas através do casamento plural.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Publicada em Doutrina & Convênios.
  2. Publicado na combinação tríplice.
  3. De acordo com a cronologia apresentada pelo profeta Joseph Smith em Lectures on Faith, Kirtland.
  4. Smith's Bible Dictionary by Dr. William Smith (1884).
  5. They Knew the Prophet, Personal Accounts from Over 100 People Who Knew Joseph Smith, Hyrum L. Andrus & Helen Mae Andrus (2004).
  6. Mormon Doctrine, Bruce R. McConkie,